Tessituras em diálogos. Volume x, 2022

Histórias que devemos contar sobre algumas mulheres

Doutora em Educação pelo PPGE FE UFRJ. Mestre em Educação pelo PROPED UERJ. É professora da graduação e do PPGE da Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais – FaE/ UEMG.

Ser e viver LGBTQIA+ se faz na resistência cotidiana diante de tentativas de apagamento biopolítico em uma sociedade heteronormativa, racista, misógina, LGBTQfóbica. O dia de hoje é marcado e deve ser lembrado pela sua luta e o direito de estar em sociedade.

Marsha P. Johnson nasceu em Nova Jersey nos Estados Unidos em 24 de agosto de 1945 e veio a falecer em 06 de julho de 1992; e é uma das protagonistas dessa história. Mulher negra soropositiva, que foi trabalhadora sexual, que jogou um tijolo em um policial no fato que ficou conhecido como a Rebelião de Stonewall, em 1969.

O protesto acontecia em defesa dos frequentadores do bar Stonewall Inn, aberto em 1967, no coração do boêmio bairro de Greenwich Village, em Nova York. Contudo, à época, a repressão contra a comunidade LGBTQIA+ era ainda grande. O bar em 28 de junho de 1967 foi invadido pela polícia. Como consequência, as pessoas começaram vários protestos contra as batidas policiais, que incluía mobilização de mais pessoas; criação de jornais com o objetivo de divulgar direitos da comunidade; assim como organização dos eventos protestos.

O primeiro soco deferido em Stonewall foi de Stormé DeLarverie, considerada a guardiã das lésbicas. Sylvia Rivera, travesti bissexual, foi a que atirou uma garrafa contra a polícia. Juntas com Marscha P. Johnson, são as protagonistas do início da resistência pelas vidas LGBTQIA+.

A partir de 1970, começaram a acontecer as primeiras marchas em grandes cidades dos Estados Unidos no dia 28 de junho. O dia se tornou um marco do orgulho LGBTQIA+.

No Brasil, a primeira parada foi em 28 de junho de 1997 com 2 mil pessoas e a última, desse ano de 2022, teve 1,6 milhão de pessoas. De lá para cá, avançamos muitos em relação a direitos; por outro lado, continuamos a ser o país que mais assassina pessoas LGBTQIA+ no mundo.

O resultado disso foi quem em 2019, o Supremo Tribunal Federal, por meio de decisão judicial, aplicou interpretação extensiva a Lei do Racismo – Lei N. 7.716 de 1989 para incluir crimes resultantes de LGBTfobia. Assim foi decidida a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão – ADO n. 26/2019, que enquadra a homofobia e a transfobia como crimes, o que permite proteção perante à lei das pessoas LGBTQIA+.

Da aphrodisia entre o sexo entre iguais na Grécia antiga, da condenação da carne como pecado no período medieval, da condenação como doença no século XIX, da confissão da carne e nas lutas identitárias do século XX, ser LGBTQIA+ se faz em ser e existir em uma sociedade que necessita se entender pelo respeito e acolhimento a todes.

Pensar em uma educação que se faz pela diversidade torna-se urgente!

Sugestão de filme:

“A morte e vida de Marsha P. Johnson” na Netflix.

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